À CONVERSA COM CLÁUDIA FONSECA, THE OFFICINALIS

18.05.2017

 

 

 

A Cláudia é uma daquelas pessoas que fazem parte da minha vida há anos, mas quase como que na sombra de uma das suas irmãs, isto porque ela é a irmã mais nova da minha melhor amiga, e devido à diferença de idades que nos separa acabava por a ver bastantes vezes, mas sem nunca termos na realidade uma relação muito forte.  No entanto, à medida que acompanhei o seu crescimento de adolescente para mulher adulta, vi na Cláudia (a minha eterna Cláudinha) uma garra, postura, coragem e carisma que me fizeram admirar a sua pessoa e apreciar cada momento que partilhávamos.

Quis o destino (e a Cláudia) que que esse seu crescimento passa-se por emigrar para os Emirados Estados Unidos e tornar-se numa das mais guapas Hospedeiras de bordo da História mas, se pensavam que esta força da natureza se contentava em andar pelas alturas desenganem-se, pois esta miúda tinha sonhos mais altos e rapidamente se tornou Health Coach e fundadora do projecto Officinalis.

Fiquem a conhecer esta verdadeira babe neste primeiro “ à conversa com”.

 

Cláudia, fala-nos um pouco sobre a tua história e o que te levou a mudar para um estilo de vida mais saudável e consciente?

 

A minha história é igual à maior parte das pessoas que se interessam por este tema. Começou com um processo de auto cura. Sempre tive muitos problemas digestivos, descobri mais tarde o grande causador é o glúten e que tenho síndrome do cólon irritável. Comecei com ligeiras mudanças, notei logo resultados, de repente, tinha mais energia. A partir daí não parei.

A preocupação pela sustentabilidade surgiu mais tarde, ainda que tenha sido um tema muito presente durante o tempo que tive nos escoteiros, mas que só comecei a desenvolver em adulta quando mudei a minha alimentação. Não comer animais faz-me sentir mais alinhada com o planeta e com o meio ambiente, é como se fossemos um só.

 

Em 2013 saíste de Portugal para te tornares Hospedeira de bordo na Etihad e voltas uns anos mais tarde como Health Coach. Em que momento achaste que querias ser Health Coach e o que te levou a mudar para uma carreira tão diferente de tudo o que tinhas feito até então?

 

Sempre soube que não queria ser comissária de bordo a vida toda, a minha passagem pela Etihad era temporária, queria viajar e juntar dinheiro. Quando me inscrevi no IIN, a minha intenção era apenas aumentar o meu conhecimento, mas logo nos primeiros meses do curso percebi que queria fazer disto uma profissão, fiquei completamente apaixonada por este tema, e desde então a minha formação tem sido continua.

 

No teu site, o Officinalis, falas não só sobre alimentação mas também de minimalismo e do projecto 333. Fala-nos um pouco sobre isso e como se fundem com um estilo de vida saudável e o aplicas no teu dia a dia.

 

 

Quando a alimentação saudável se tornou num hábito, deixou de ser um desafio. Aí precisei de descobrir outras coisas. Não acredito que somos só o que comemos, e tento que tudo aquilo que escrevo, se reflicta nesta crença. Às vezes tenho receio que sejam demasiados temas, mas procuro inspirar quem me lê a viver uma vida mais simples, saudável, e mais plena, menos preocupada com o ter, e mais com o ser.

 

Como hospedeira de bordo tiveste oportunidade de viajar para diferentes países e ter contacto com diferentes estilos de vida. Qual o local que achaste mais avançado no que diz respeito a alimentação e estilo de vida saudável e o que menos aberto está e porquê.

 

Sem dúvida que a Austrália foi o meu país preferido nesse sentido. Os australianos vivem muito ao ar livre, exploram as cidades, os espaços verdes, a praia, ao mesmo tempo que gostam de fazer desporto, e se preocupam com a alimentação. Claro que nem todos os australianos são assim, mas em termos de oferta, sem dúvida o meu preferido, fiquei com muita vontade de viver lá, pena ser tão longe de Portugal.

O que está menos aberto é muito difícil de dizer. Os países asiáticos estão menos receptivos ao tema da sustentabilidade, há muito lixo nas ruas, mas em termos de alimentação há sempre um prato de arroz e fruta para comer. Muitas famílias vivem ainda no limiar da pobreza, e é natural que aí a preocupação não seja ser saudável, mas sim ter o que comer. É tudo um bocadinho subjectivo, o conceito de saudável pode variar tanto.

 

Viver num país tão diferente de Portugal a nível cultural e também ambiental deve ter trazido alguns desafios. Quais foram as tuas maiores dificuldades de adaptação ao teu estilo de vida e como as superaste.

 

É um desafio constante. Pela falta de oferta em alguns produtos, pelo preço elevado dos ingredientes que cozinho, mas acima de tudo pela preocupação ambiental. É sem dúvida o que me deixa mais frustrada por aqui. É muito difícil remar contra a maré. Já aceitei que enquanto viver nos Emirados tenho de ser menos exigente, as embalagens vão fazer sempre parte do meu dia a dia.

Em termos culturais, adaptação foi mais fácil do que estava há espera, uns meses depois já estava culturalmente ambientada ao país. Claro que é tudo muito diferente de Portugal. Quando me mudei, e por por ser um país no médio oriente, a minha maior preocupação era minha vivência enquanto mulher. Posso dizer que tenho uma vida perfeitamente normal. Bebo álcool, conduzo, uso bikini na praia, não tenho de usar um lenço a cobrir a cabeça (estas são as perguntas que mais me fazem).

 

A maior parte das pessoas acha complicado manter uma alimentação saudável quando em viagem. Como ex hospedeira de bordo e actualmente também em viagem como manténs uma alimentação saudável e que conselhos dás a quem sente dificuldades nesta área.

 

É engraçado porque como estou a viajar, esta pergunta não podia ter vindo em melhor altura.

Quando trabalhava na Etihad era mais fácil, pesquisava antes de cada voo o supermercado mais próximo do hotel, e os restaurantes com as melhores opções.

Não comer glúten e produtos de origem animal em viagem limita-me muito, é preciso alguma flexibilidade.

No Nepal estive literalmente 20 dias a comer arroz com lentilhas e arroz frito de vegetais porque não havia mais opções para mim. Claro que uma semana depois já estava farta, mas faz parte.

Existem muitas coisas que não conseguimos controlar em viagem. Já fiquei com dores de barriga porque os empregados simplesmente não sabem o que quer dizer a palavra glúten, felizmente não sou celíaca. Se formos flexíveis e aceitarmos que a alimentação está fora do nosso controlo em algumas situações é mais fácil lidarmos com a frustração. Para mim o único não negociável é não comer animais. A partir daí vou abrindo o leque. Agora nas Filipinas já me fartei de comer vegetais fritos e molhos com açúcar, algo impensável em casa.

Na minha mala tenho sempre granola, frutos secos, vitamina B12 e proteína em pó.

O meu maior conselho é mesmo sejam flexíveis, e não comparem os ingredientes e menus no estrangeiro com o que encontram em Portugal. Vai ser sempre diferente, a comparação só complica.

 

O que não dispensas na tua cozinha?

 

Que pergunta difícil, tanta coisa! A minha liquidificadora e o processador são os meus melhores amigos. Nunca pode faltar abacate, espinafres, limão e uma quantidade absurda de chás diferentes. Frutos secos e super alimentos.

Vou cozinhando com o que houver disponível no mercado e no supermercado, como infelizmente compro quase tudo importado varia muito.

 

Se fosses de viagem e só pudesses levar uma coisa contigo o que levarias?

 

Não é uma coisa, mas levava o meu marido. O David sabe sempre onde está, tem um sentido de orientação invejável, e pesquisa sempre os restaurantes “Cláudia friendly”. É muito mais responsável do que eu nesse sentido.

 

 

Desafiei a Cláudia a partilhar uma receita convosco e eis o resultado, uma deliciosa granola de chocolate.

Encontrem mais receitas e explorem o mundo da Cláudia em theofficinalis.com

 

Escolhi a receita da minha granola de chocolate, para vos inspirar a levar para as próximas férias. A granola acompanha bem com fruta, iogurte, leite, pudins de chia, e mesmo muito versátil para comermos fora de casa.

 

Receita de granola de chocolate

http://theofficinalis.com/pt/?s=granola+chocolate

 

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DICAS PARA UMA VIDA FELIZ E SAUDÁVEL

CUIDAR DE MIM

#1 
GRATIDÃO

Todos os dias, antes de deitar, reflecte nos aspectos da tua vida pelo qual estás grata. Vais ver que por mais dificil que sejam os momentos pelos quais possas estar a passar há sempre coisas boas e deves sentir-te grata por elas. Cultiva essa sensação de gratidão todos os dias e vais ver como inúmeras e maravilhosas possibilidades surgirão. 

 

#2
NÃO TE COMPARES AOS OUTROS
 Todos somos diferentes, únicas e perfeitas nas nossas imperfeições. Abraça-as pois são elas que te tornam única e especial.

#3
MOVE O CORPO LOGO PELA MANHÃ

Cuidar de mim logo pela manhã vai ser o teu novo mantra. Encontra uma actividade física que te mova e que possas fazer logo pela manhã. Fazê-lo logo ao ínicio do dia vai dar-te um boost para que agarres o dia com uma nova energia e maior confiança.

NA COZINHA

#1 
PROGRAMA

Programa as tuas refeições para a semana e cozinha alguns alimentos como cereais integrais e leguminosas. Assim, será mais fácil e rápido preparares uma refeição deliciosa após um dia de trabalho

 

#2
TROCA 

Reduz o sal usando e abusando de ervas aromáticas. Além de darem um sabor delicioso aos pratos dá-lhes um toque de frescura.

 

#3
ANTECIPA

Prepara o teu pequeno almoço de véspera. Assim, sabes que terás algo delicioso para nutrir o teu corpo logo pela manhã.

Sandra Mesquita

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