A VERDADE SOBRE A MINHA TRISTEZA PÓS-PARTO E COMO A SUPEREI

01.06.2017

 

É incrível como o tempo parece ganhar outra proporção quando temos filhos. De repente parece que olhamos para trás e pensamos o que é que aconteceu a estes 365 dias que passaram tão rápido que nem demos por eles. Eu podia-vos dizer que sim, passaram super rápido e que gostaria de poder voltar atrás e viver tudo de novo mas não estaria a ser verdadeira e, se me seguem à tempo suficiente e leram este post sobre o meu balanço de três meses de maternidade, sabem que algo se passou que marcou a minha experiência de uma forma menos feliz. Pensei muito sobre se haveria de escrever este post ou não, acima de tudo por me pôr numa posição de exposição que não me é de todo confortável e falar sobre um assunto muito intimo e que foi privado durante algum tempo mas, após muita refexão achei que deveria ser sincera convosco e partilhar a minha experiência pois de certo havera muitas mulheres a passar ou que já passaram pela mesma situação e que poderão sentir alguma ligação ou conforto no meu testemunho.

A minha gravidez foi dos momentos mais bonitos que vivi. Adorei estar grávida e sentia-me super feliz e num verdadeiro estado de graça mas, tudo mudou quando por volta dos 7 meses de gravidez quando soube que a minha mãe tinha sido diagnosticada com cancro de mama. Foi dos momentos mais avassaladores para mim pois o diagnóstico já tinha alguns meses e só o soube quando não dava mais para esconder pois tinha chegado a altura da cirurgia. O meu mundo desabou naquele momento. Não sabia o que pensar ou o que sentir. Foi dos momentos mais tristes da minha vida onde de repente pus tudo em perspectiva e não sabia se havia de sentir raiva, tristeza, compaixão, ou o que quer que fosse. Sentia-me vazia e ao mesmo tempo inundada por sentimentos estranhos. Chorei, chorámos, falámos e questionámos. O que mais me magoou foi o facto de a minha mãe não ter partilhado comigo o seu diagnóstico pelo facto de eu estar grávida e ter sofrido em silêncio tanto tempo, afinal temos uma relação forte que naquele momento não me pareceu assim tão forte mas, depois de lidar com a confusão que invadiu a minha cabeça e o meu coração pus a minha mágoa de lado e lidei com a nova realidade com que de repente me vi viver. Os meses que se seguiram foram intensos. Após uma cirurgia e pensando que tudo estava ok fomos atinguidos com um murro no estômago. Uma nova cirurgia de urgência teria de ser feita. Foi tudo tão rápido e confuso que nem deu tempo para assimilar. Segunda cirurgia feita, mais uma semana de internamento e finalmente teve alta. Ver a minha mãe em casa, bem e com toda a familia à volta foi intenso e senti uma descarga emocional nesse momento. Senti-me calma e ao mesmo tempo em êxtase e assim que passei a porta de casa rebentaram-se-me as águas. Na manhã seguinte já com a nossa filha nos braços ligámos à familia para dar a noticia. Ninguem sabia que tinha entrado em trabalho de parto durante a noite por isso quando ligámos aos meus pais a dar a noticia a minha mãe achou que estavamos a brincar. Foi estranho a minha mãe ter alta do hospital num dia e nessa mesma noite eu entrar exactamente no mesmo piso e dar à luz a minha filha. Brincámos com isso durante algum tempo e era a nossa forma de aligueirar as coisas. 

Quando a minha filha nasceu senti-me muito estranha pois estava a passar por um caos emocional tão grande que não senti aquela alegria que toda a gente falava que se sente quando se vê a nosso bébé pela primeira vez. Lembro-me de ter visto a minha filha e sentir-me completamente dormente emocionalmente. Fiquei literalmente a olhar para o tecto durante o que me pareceu ser uma eternidade e nos dias que se seguiram só me apetecia chorar. Quando me visitavam punha sempre um sorriso nos lábios e dizia que estava feliz mas era só vista. Mal viravam costas sentia-me completamente vazia e sem saber como lidar com aquela nova realidade. Ser mãe pela primeira vez é por si só assustador e confuso. Há sempre o medo de não estarmos a fazer algo certo e a deprivação de sono leva-nos a ter comportamentos que nos são estranhos mas, para mim, a situação foi num outro nível. Seguiram-se consultas no hospital e meses de radioterapia. Tivemos muito apoio da minha cunhada mas assim que me senti mais forte e confortável para levar a minha filha comigo para todo o lado acompanhei a minha mãe às sessões. Lembro-me de ficar no carro com a minha filha para não entrar com ela na clínica e naqueles momentos a minha mãe era tão forte e positiva que nem parecia que estavamos a lidar com um cancro. O tratamento terminou e nesse mesmo instante foi como se a minha mãe tivesse clicado o botão "já estou boa". Foi incrível, e ainda é, ver a sua força e a forma como lidou com toda a situação durante todos aqueles meses e ainda lida hoje. Nunca se queixou, nunca se vitimizou, nunca usou a palavra cancro e sempre manteve uma atitude positiva. Foi das maiores lições de vida que a minha mãe me deu e que nunca irei esquecer. Com o tempo tudo muda e hoje sinto-me muito grata por tudo o que passámos. Foi um ano muito intenso marcado pela concretização de mudanças que projectava há algum tempo. Fiz uma mudança radical na minha vida profissional e tive a minha filha que também era muito desejada e embora tivesse sido um ano marcado por sofrimento não só meu e da minha mãe mas também e principalmente da minha cunhada que acabou por perder a sua mãe uns meses depois, foi um ano de união que nos tornou mais fortes e próximas. Foi o ano onde mais que nunca aprendi a ser grata por todos os bons momentos que temos com quem gostamos pois num piscar de olhos tudo muda. Agora, um ano passado, mais do que celebrar um ano de vida da minha pequena Mei, celebramos o que ficou para trás e as coisas boas que acreditamos que nos esperam.

 

Seja qual for a situação em que estejam neste momento espero que esta minha partilha vos ajude a acreditar na beleza da vida pois os momentos mais bonitos estão logo atrás dos mais sombrios. Acreditem que viemos ao mundo para ser felizes e acreditem no vosso poder interior e de que são capazes de criar uma vida cheia de abundância e felicidade. Não fiquem presos nos nomentos tristes da vida porque nada é estático, e sejam felizes tal como nós somos neste momento. A vida é demasiado curta por isso vivam-na ao máximo e vejam a felicidade e beleza nas pequenas coisa pois são essa que são as mais importantes no final.

 

Um até já cheio de amor!

 

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DICAS PARA UMA VIDA FELIZ E SAUDÁVEL

CUIDAR DE MIM

#1 
GRATIDÃO

Todos os dias, antes de deitar, reflecte nos aspectos da tua vida pelo qual estás grata. Vais ver que por mais dificil que sejam os momentos pelos quais possas estar a passar há sempre coisas boas e deves sentir-te grata por elas. Cultiva essa sensação de gratidão todos os dias e vais ver como inúmeras e maravilhosas possibilidades surgirão. 

 

#2
NÃO TE COMPARES AOS OUTROS
 Todos somos diferentes, únicas e perfeitas nas nossas imperfeições. Abraça-as pois são elas que te tornam única e especial.

#3
MOVE O CORPO LOGO PELA MANHÃ

Cuidar de mim logo pela manhã vai ser o teu novo mantra. Encontra uma actividade física que te mova e que possas fazer logo pela manhã. Fazê-lo logo ao ínicio do dia vai dar-te um boost para que agarres o dia com uma nova energia e maior confiança.

NA COZINHA

#1 
PROGRAMA

Programa as tuas refeições para a semana e cozinha alguns alimentos como cereais integrais e leguminosas. Assim, será mais fácil e rápido preparares uma refeição deliciosa após um dia de trabalho

 

#2
TROCA 

Reduz o sal usando e abusando de ervas aromáticas. Além de darem um sabor delicioso aos pratos dá-lhes um toque de frescura.

 

#3
ANTECIPA

Prepara o teu pequeno almoço de véspera. Assim, sabes que terás algo delicioso para nutrir o teu corpo logo pela manhã.

Sandra Mesquita

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